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Renatha nasceu em 19 de novembro de 1984, numa noite chuvosa segundo a mãe. Viveu até seus 13 anos em seu município de origem, Carapicuíba – SP. Sua família sempre foi muito humilde, moravam de aluguel e nunca tiveram regalias, mas sempre tiveram o necessário para se viver... Saúde e fé em Deus. Ela é a mais velha dos 5 filhos de Amauri e Rosa. Teu um irmão, Claiton, que veio a falecer com apenas 8 meses de vida, era um bebê muito doente e sofria constantemente de broncopneumonia, causa de sua morte. Foi muito difícil para sua mãe superar a perda do primeiro filho, principalmente porque na madrugada em que estava morrendo, ela fez de tudo para salvá-lo sem sucesso e os médicos disseram que se ela tivesse chegado no hospital 5 minutos antes, teriam conseguido mantê-lo vivo. Mas Renatha crê que Deus, o criador e sabedor de todas as coisas, naquele momento, fez o que era melhor.
Quando sua mãe engravidou novamente, desta vez, de Renatha, confessou que ainda estava muito abalada com a morte de seu irmão, mesmo depois de quase dois anos, não queria outro filho e nos primeiros meses de gestação ela foi rejeitada. Com o crescer da barriga, com seus primeiros movimentos, esse sentimento foi se transformando em amor incondicional e quando Renatha nasceu ela percebeu que havia recebido um novo presente de Deus, conta ela.
Desde muito pequena Renatha descobriu seu amor pela música, porém, segundo sua mãe, não tinha a menor vocação para tal. (Risos)
Sempre que começava a cantar, ela implorava com veemência para que ela parasse. Ela disse que não se recorda de cantar tão insuportavelmente assim, mas há controvérsias.
Aos 14 anos, Renatha começo a frequentar uma igreja, na rua de baixo, e como lá as pessoas tinham o costume de cantar no palco, sem medo, sem vergonha e sem retaliações. Vendo isso, ela pensou que poderia fazer o mesmo e que ninguém iria rir de sua voz de taquara rachada. Para se certificar de que conseguiria se familiarizar com o microfone sem ter um ataque de nervos, chamou uma amiga, Alessandra que já estava acostumada com o tal para cantar com ela. Cantaram uma música conhecida da todos, o que tornou a situação mais fácil. Depois desse dia então, passou a ensaiar em casa as músicas e cantar com mais frequência, porém, com a cara e a coragem, sozinha.
Com o passar dos anos, foi se desenvolvendo e consequentemente sua voz também. Já sentia mais segurança e propriedade quando cantava e começou a ser convidada para fazer alguns solos no coro de jovens. Com o passar do tempo, recebia também convites para cantar em outras igrejas e sequentemente em casamentos, festas e eventos. Mas mesmo assim, não havia pensado ainda em viver somente da música.
Com 19 anos, que foi quando conseguiu seu primeiro emprego, começou com muito sacrifício, pagar uma escolinha de música que havia perto de sua casa, seu sonho era aprender a tocar violino, e começou, até conseguiu comprar o instrumento, com uma amiga que queria vender o dela. Estudou por poucos meses, pois suas condições financeiras não ajudavam muito,seu salário também tinha de render para ajudar nas despesas da família. Então com muita tristeza, parou.
Em meados de seus 20 anos, tomou um amor pela música imensurável, cada canção cantada, era uma experiência nova, era um sentimento desconhecido, sentia como se pudesse tocar o céu, era seu momento, sua música, sua voz! Cantava para si mesma e me sentia realizada, cantava pra Deus e se sentia renovada. Voltou a estudar, dessa vez, somente a teoria musical, mesmo assim se sentia feliz. Mas novamente quando as coisas começavam a apertar, via-se obrigada a parar.
No dia 7 de maio de 2005, conheceu uma pessoa no casamento de uma amiga que a chamou chamou para cantar durante sua festa. E dali surgiu um sentimento lindo de amor que viera mais tarde os unir em matrimônio.
Em 23 de Fevereiro de 2008, aos 23 anos se casou, com Anderson, uma grande pessoa, que sempre deu muito apoio com a música e influenciada por ele, em sua certidão de casamento colocou que sua profissão era musicista, ao invés de operadora de telemarketing. Ela dizia que não fazia sentido, colocar em sua certidão de casamento, uma profissão que eu não exercia, mas ele dizia para ela não se preocupar, pois um dia, ela faria aquela parte da certidão valer.
Mais tarde as propostas para cantar profissionalmente começaram a aumentar, e decidiu então que era realmente da música que queria viver, trabalhar e trazer seu sustento. Em sua casa nunca fui muito incentivada a cantar, mas sua família também nunca se opôs, apesar de sempre perguntarem por que queria estudar música, já que na família não há histórico de músicos. E eles também sempre diziam que não tinham a mínima ideia de quem ela tinha herdado a voz, uma vez que não havia cantores na família. E ela sempre respondia que esse foi um presente especial de Deus para ela.
Já em 2005, quando começou a visitar a igreja de seu esposo, conheceu uma moça jovem surda, ou como alguns preferem, deficiente auditiva. E sua condição de não conseguir se comunicar, deixa ela preocupada. Renatha queria ser amiga de Luciana, saber o que ela tinha a dizer, aprender coisas novas com ela, pois ninguém mantia com ela um diálogo, justamente porque não sabiam falar na língua de sinais. Havia durante os cultos, intérpretes que traduziam tudo o que era falado ou cantando e só de olhar Renatha aprendeu LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Dedicou-se muito a essa forma de comunicação na época e iniciou um curso básico. Mas como já foi dito, Renatha sempre teve um namorado, noivo e marido que a apoiasse muito em tudo, e por influência dele mais uma vez, colocou em seu currículo que ela era intérprete de Libras, mesmo sem ser. Ele sempre foi um homem de muita fé. E foi assim que surgiu a oportunidade de trabalhar profissionalmente na área. Uma instituição acadêmica a chamou para uma entrevista, ela hesitou um pouco, mas Anderson a motivou a ir. E lá estava ela, tremendo de medo, por saber umas poucas palavrinhas em Libras, imaginando como seria deixar sua vida de operadora de telemarketing de uma instituição financeira para ser uma intérprete de Libras em sala de aula de uma faculdade. Que responsabilidade!
Renatha mal pode crer quando recebeu a notícia de que havia passado no processo seletivo e que estava sendo chamada para trabalhar, era tudo muito novo para ela, e sabia que não dominava bem a língua tão bem assim, por isso, teria de se virar do avesso para manter seu novo emprego. Lá Renatha conheceu muitos surdos que a ajudaram a desenvolver a língua, mas o seu padrinho na Libras foi o surdo Marcos Marcondes. Ele foi seu mestre e lhe ensinou muito. Semdo assim, ela proveitava cada oportunidade para aprender e desenvolveu muito, a ponto de ser considerada uma das melhores intérpretes do setor que eu trabalhava na época, segundo os surdos para os quais ela interpretava e/ou mantia contato.
Trabalhando nessa universidade, recebeu uma bolsa de estudos. E assim fez sua matricula, e ingressou na turma do curso de Licenciatura em Música e com muita gratidão a Deus pela oportunidade. Atualmente, Renatha ainda trabalha e estuda nessa universidade e tem feito da música uma companheira em sua vida.
E apesar de trabalhar com um público que nunca poderá ouvir sua voz, eles sempre a apoiaram e incentiram muito com a música, e isso para a Renatha é algo impavável, não tem preço! Ela é imensamente grata pelo apoio, carinho e amizade da comunidade surda.
Agora Renatha está galgando algo maior na área musical, abrir uma escola de música, estar mais envolvida com ela. A Libras sempre será especial, pois abriu portas que talvez jamais se abririam se Renatha não tivesse a aprendido, mas devido a um problema no braço, bursite e tendinite, já não pode mais trabalhar com tanta veemência na área e tenho feito de tudo para que seu trabalho seja o melhor possível mesmo estando as vezes em péssimas condições de saúde. Mas jamais se esquecerá de todas as alegrias e oportunidades que a Libras lhe ofereceu e dos grandes amigos intérpretes, ledores e surdos que fiz.
Essa é só um pouco da história da vida de Renatha Leal, e não poderia terminar sem fazer seus agradecimentos às pessoas que mais ama no mundo:
Agradeço à minha mãe Rosa que já matou muitos leões por mim e meus irmãos, que sempre nos defendeu com unhas e dentes.
Ao meu pai Amauri que sempre foi um trabalhador, e que sempre fez de tudo para colocar à mesa o pão de cada dia e não deixar que nada nos faltasse. Sei como foi difícil criar cinco filhos... Por isso terei menos, quatro talvez (risos). Esses dois batalhadores, que nos ensinaram a respeitar o próximo, sermos honestos e lutar por nossos sonhos e objetivos sem usar ninguém como escudo.
Agradeço a todos os meus irmãos; A Jaqueline, por todo apoio e confiança que deposita em mim, por me considerar sua amiga e ter por mim um amor sem interesses. Yago, Kevin e Eduardo por fazerem parte de minha vida desde muito cedo e por terem me dado a oportunidade de ser além de irmã, mãe deles também, e por sempre me tratarem com um carinho inigualável.
Sou grata por ter meu cãozinho Tobby que já está conosco há 11 anos e por ser realmente um amigo fiel, sempre pronto e disposto a dar um gesto de carinho e amizade. Você é parte da família.
Agradeço a todos os meus verdadeiros amigos, os antigos e os mais novos que Deus tem colocado em meu caminho. Pessoas que tem me feito sorrir e que sei que posso contar em qualquer momento. Obrigada Valdilene Lima, não importa a distância, você estará sempre num lugar muito especial em meu coração, você é a imagem do esforço e fé, nunca desista de seus sonhos. Alessandra Símon, você me faz um bem que nem sabe, sua alegria é contagiante e sua amizade me ensinou muito, sorrir sempre é a melhor opção. Fernanda Alleto, seu carinho e compreensão são especiais demais para mim, o que faria sem eles??? Paula, Laine, Priscilly, o que passamos juntas, só Deus pode descrever, amo demais vocês. Aninha, que paciência amiga... Só você consegue sempre com um sorriso suportar minha tagarelice, isso é um dom que muitos não tem (risos).
Agradeço especialmente a pessoa mais querida e maravilhosa desse mundo, meu marido e companheiro Anderson, você é o maior presente que já recebi de Deus. Obrigada por todo apoio, incentivo, paciência, amor e carinho de sempre. Você é sem dúvida, o melhor marido e amigo do mundo. Te amo demais.
E não poderia deixar de dar meu eterno agradecimento à pessoa mais importante de minha vida... Obrigada Jesus, pelo dom da vida, pela saúde, pela paciência todas as vezes que errei, mesmo quando me mostrava o melhor caminho a seguir e com seu imenso amor e cuidado, me trazia de volta pelo caminho certo. Obrigada por colocar em minha vida pessoas tão maravilhosas e por me dar presentes que fizerem de mim uma pessoa realizada. A música é um desses presentes. Obrigada por me abençoar com um dom tão lindo e por permitir que eu o compartilhe várias pessoas. A Ti dedico cada som, cada acorde, cada frase, cada canção. Você é minha verdadeira inspiração para tudo que faço e vivo. Te amo na minha simplicidade e reconheço que sem você nada posso fazer, te amo com minha vida. Muito obrigada por tudo!